Jan Leene, que adota mais tarde o nome de Jan van Rijckenborgh, nasceu em Haarlem, Holanda, em 1896, numa família de orientação cristã. Com acentuado senso de justiça, no seu tempo de juventude se revela um apaixonado investigador da verdade. Em 1924, junto com seu irmão Zwier Willem, assenta as primeiras bases para uma verdadeira comunidade espiritual de libertação para a nova era: a Casa Sancti Spiritus. Uma comunidade que cresceu mundialmente até tornar-se uma escola espiritual transfigurística, conhecida pelo nome Escola Espiritual Internacional da Rosacruz Áurea, atualmente com cerca de 175 focos de trabalho em 36 paises. Em 1930, juntou-se a eles a senhora Henriette Stok-Huyser, que adotou mais tarde o nome Catharose de Petri, e foi sua principal colaboradora espiritual.
Em suas exposições sobre a Doutrina Universal, Jan van Rijckenborgh interpretou e esclareceu para o homem de nosso tempo mensagens de várias épocas transmitidas à humanidade como, por exemplo, o Corpus Hermeticum, de Hermes Trismegisto, o evangelho Pistis Sophia e o Tao Te King, de Lao Tsé. Em toda a sua obra ele sempre permaneceu fiel aos objetivos da Rosa-Cruz Clássica do século XVII, como expostos nos manifestos dessa fraternidade. Jan van Rijckenborgh deixou para a humanidade que busca a verdade e a libertação um tesouro espiritual extremamente rico de indicações e auxílios em quarenta obras escritas de próprio punho, algumas delas escritas em conjunto com Catharose de Petri. Essas quarenta obras constituem apenas uma fração de sua obra total. Muitas centenas de alocuções e conferências realizadas por ele para os alunos da Escola Internacional da Rosacruz Áurea ainda não foram publicadas.
Podemos perceber facilmente que a vida de Jan van Rijckenborgh foi marcada pelo constante desenvolvimento: de um jovem devoto até tornar-se um gnóstico hermético. Esse desenvolvimento o levou a vivenciar vários aspectos do caminho. Sua meta sempre foi estimular outros homens a chegar ao conhecimento do verdadeiro ser latente no coração, chamado de botão de rosa ou de átomo-centelha-do-espírito.
Desde seus anos de juventude Jan van Rijckenborgh encontrou, em muitos teólogos e seus seguidores, discrepâncias entre a profissão de fé manifestada em seus sermões dominicais e sua prática de vida diária. Essa percepção fez que ele, um intenso buscador da existência de um verdadeiro sacerdócio da humanidade, acabasse por desligar-se da Igreja Protestante e entrasse em contato com o professor doutor Arnold Hendrik de Hartog (1869–1938). Esse pregador liberal era, entre outras coisas, o fundador da Escola Internacional de Filosofia de Amersfoort e era conhecido naquele tempo como um inflamado orador. A igreja onde ele pregava estava sempre superlotada. Em seus sermões, Hartog apoiava-se com frequência no pensamento de Jacob Boehme, o “Filósofo Teutônico”, em quem se encontrava o conceito hermético das duas ordens de natureza. Jacob Boehme tornou-se, então, igualmente um grande inspirador para Jan van Rijckenborgh. Na década de 1930, ele mesmo cuidou da publicação de uma edição holandesa do livro A aurora nascente, de Boehme. Ele reconheceu nesse autor o pensamento universal gnóstico que tanto procurava.
Ouvir frequentemente Hartog citar Angelus Silesius, pseudônimo de Johannes Scheffler (1624–1677), impulsionou Jan van Rijckenborgh mais adiante, assim como seu constante martelar sobre o processo de renascimento evangélico. E por causa disso Hartog foi acusado de sair dos limites da doutrina oficial. Mais uma vez Jan van Rijckenborgh se tornou consciente de que a igreja não acolhe bem o verdadeiro peregrino cristão. Todavia, seu pensamento cristocêntrico continuou: ele buscava uma experiência religiosa no sentido de uma atitude de vida efetiva e de uma revelação que provinha de seu próprio e interno livre sacerdócio.
Foi aos 28 anos de idade que Jan van Rijckenborgh encontrou o caminho da Rosacruz moderna. Ele entrou em contato com a “The Rosicrucian Fellowship” de Max Heindel, e desse modo conheceu os manifestos rosa-cruzes e, entre outros, os escritos de Paracelso e de Comenius.
Em 1935, ele funda, com seu irmão, Zwier Willem Leene, a Escola Espiritual da Rosacruz Áurea e concentra-se na leitura dos manifestos da fraternidade da Rosa-Cruz clássica, e, ao mesmo tempo, em suas leituras, aprofunda-se no significado esotérico dos evangelhos cristãos. Com isso, colocou a ênfase no processo evangélico que deve ocorrer no próprio homem.
Nesse meio tempo, esteve em Londres na British Library, onde se deparou com uma obra de Johann Valentin Andreæ: De republicæ christianopolitanæ descriptio, numa versão inglesa. Para essa obra ele escreveu, em 1939, um comentário que acompanhou sua tradução para o holandês do texto original, e assim foi publicada seu livro Christianopolis. Ele também realizou uma cuidadosa tradução para o holandês da Fama fraternitatis R. C., da Confessio Fraternitatis R. C. e de As núpcias químicas de Christianus Rosencreutz. Jan van Rijckenborgh ensina nesses manifestos o que ele mesmo colocou em ação: a mensagem que a Fraternidade Universal sempre trouxe ao mundo, o chamado para uma reforma geral, que significa principalmente realizar uma transformação fundamental no próprio ser.
Durante a Segunda Guerra Mundial, de 1940 a 1945, quando a Escola da Rosacruz foi fechada pelas forças de ocupação e seu trabalho foi proibido, ele aprofundou-se no Corpus Hermeticum, nos escritos dos maniqueus e dos gnósticos, e na história dos cátaros. Os diversos ensinamentos desses escritos por ele encontrados levaram-no de volta à linguagem velada e simbólica dos manifestos.
Em 1956, no sul da França, ele encontrou, juntamente com Catharose de Petri, o senhor Antonin Gadal, o guardião do legado espiritual dos cátaros. Dessa época em diante, a revelação do tesouro espiritual dos cátaros uniu-se à Escola Espiritual da Rosacruz Áurea.
Muitas obras, então, surgiram, da própria autoria de Jan van Rijckenborgh, dentre as quais uma obra em quatro volumes com comentários e explicações do Corpus Hermeticum e um livro em dois volumes com o texto original de As núpcias químicas de Christianus Rosencreutz, acompanhado de uma explicação minuciosa. Com esses escritos, Jan van Rijckenborgh estabeleceu uma ponte entre o objetivo dos irmãos da Rosa-Cruz e a fonte original de Hermes. Ele mostrou que, através dos séculos, é sempre o mesmo princípio universal que é revelado para o mundo.
Com seu livro As núpcias alquímicas de Christian Rosenkreuz, Jan van Rijckenborgh comprova que, em suas obras, após um longo caminho de preparação e passo a passo, ele havia penetrado os segredos da Fraternidade. A luta de C. R. C., como ele a descreve com todos os matizes é, na realidade, também a própria luta no caminho que ele mesmo abriu. Então, vivenciar o caminho leva ao renascimento da alma, ao indispensável renascimento da água e do Espírito.
O renascimento “de homem natural a homem espiritual”, que, em sua juventude, ouviu de Hartog, não é, portanto, para Jan van Rijckenborgh, nenhuma filosofia, porém uma necessária e pura ação. Esse renascimento até o estado de homem espiritual é realizado por meio de um processo, onde nenhum passo pode ser negligenciado. Assim Jan van Rijckenborgh mostrou com sua experiência que essa é uma senda que deve ser trilhada pela própria pessoa. Em sua Escola, até seu falecimento em 1968, ele explicou e esclareceu esse caminho a seus alunos de todas as maneiras possíveis.